segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Gameshark: Uma dádiva ou uma praga?



   Muitos dos leitores que nasceram depois da metade da década de 90 e cresceram jogando Playstation 2 e assistindo Dragon Ball GT no Globo provavelmente nunca ouviram falar desse acessório inventado para a primeira versão do console [não só o PSX, outras plataformas como o Nintendo 64 também possuíam o acessório, mas nesse artigo focarei o do PSX], o GameShark [conhecido por alguns como Action Replay]. Criado originalmente como um acessório que se encaixava na parte de trás dos consoles, o GameShark foi visto como uma ferramenta mágica capaz de mudar totalmente a vida do gamer e foi a maior invenção do PSX desde o Memory Card. Porém nem todos os gamers podiam contar com o auxílio do magnífico aparelho, já que era compatível apenas com o modelo Playstation Fat”, os modelos PS One não contavam com a entrada do aparelho e não sendo o bastante, algumas edições do console “Fat” também não possuíam a entrada para o aparelho, o que o tornava ainda mais exótico. Devido a isso, um bom tempo depois a utilidade do aparelho foi adaptada para um CD que era encontrado em qualquer camelô pela bagatela de 10 reais, fazendo assim com que todos os gamers pudessem desfrutar dos benefícios do aparelho.




   Agora você, leitor mais afoito, deve estar se perguntando, "para que diabos serve isso?". A resposta é simples e ao mesmo tempo complexa: o GameShark nada mais é do que um Software no qual era possível acessar todos os vídeos contidos no CD do jogo, possuía também um Gerenciador de Memory Cards que com certeza era muito mais rápido do que gerenciador do próprio console. Mas o mais importante, o GameShark podia acessar as linhas de comando dos jogos e modificá-las!
   Para quem ainda não entendeu, serei mais prático: em jogos como Final Fantasy, Breath of Fire, Lunar era possível conseguir dinheiro infinito, HP máximo, MP máximo, era possível iniciar o jogo com o Level 99, entre outros; em jogos como Resident Evil, Dino Crisis, Alone in the Dark, era possível ter vida infinita, munição infinita, acesso a todas as armas, mapas e itens. Mas claro, nem tudo são flores. Essas modificações nas linhas de comando eram feitas através de uma ou várias sequências numéricas que eram ativadas antes de iniciar a jogatina. A questão é: "Como o jogador fazia pra ter acesso a essas sequências numéricas?". Em um mundo onde a internet ainda era uma ferramenta escassa e poucas pessoas podiam contar com ela, o público em geral apelava para as revistas especializadas em games [poderia citar o nome delas, mas não faço propaganda pra ninguém de graça], que na sua maioria possuíam uma seção especializada em códigos de GameShark, algumas até mesmo tinham edições especiais focando apenas códigos para o aparelho.
   Obviamente não era necessário digitar todos os códigos toda vez que fosse jogar, pois o aparelho também contava com uma memória interna que podia armazenar centenas de códigos de centenas de jogos, facilitando em muito a vida dos gamers. É aí que entra a pergunta do título do artigo: "Uma dádiva ou uma praga ?"


   Uma coisa eu posso dizer: GameShark é igual a sexo, você pode passar a vida toda sem nunca fazer, mas você fizer pela primeira vez não consegue mais viver sem. Eu confesso que depois que comprei o meu GameShark, fiquei maravilhado e usava e abusava do aparelho, lembro-me que em certa época eu havia lotado a memória dele de tantos códigos que haviam sido salvos, e que para salvar códigos novos eu precisava antes apagar algum já existente.



   Não nego que em muitas situações de muitos jogos o aparelho me deu um grande auxílio, mas será que valia a pena arriscar a diversão e a dificuldade do jogo usando de regalias como armas e vidas infinitas?
   Eu fui uma pessoa que sempre encarei os jogos da forma que eles foram criados, eu gostava da satisfação de ter terminado o jogo sozinho sem a ajuda de nada nem ninguém, mesmo que pra isso tivesse que arremessar o controle na parede algumas vezes, mas confesso: o GameShark veio para tirar essa satisfação. Acreditem se quiserem, depois de certo tempo não era possível viver sem o aparelho, e qualquer dificuldade que você tivesse em alguma fase chata do jogo era só ativar a vida infinita e TãDã, a fase que era uma problema já não é mais.
   Mas será que isso tudo valia mesmo a pena? Claro, essa resposta varia de pessoa pra pessoa, mas eu particularmente nunca mais senti a mesma satisfação de ter finalizado um jogo depois que conheci o GameShark, e mesmo sabendo disso eu nunca consegui deixar de usá-lo nos momentos de dificuldade. É meio irônico mas é a realidade.
   Agora gostaria de saber de vocês leitores, que são dessa época e já tiveram esse aparelho. É válido usar das funcionalidades do GameShark para terminar um jogo, ou a satisfação de fazê-lo “na raça” ainda era superior?

Interface do GameShark

Um comentário :

  1. Hmmmm, cadê o pais dele? O Game Genie.
    Eu mesmo ja usei GameSahrk algumas vezes, mas já era aquele de CD que tinha no camelô, e realmente tira muito da graça do jogo.

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